sinto-piano

2003 – Porto, Portugal

Sinto-me em silêncio, mas sai de mim um som denso sai pela ponta dos dedos e projecta-se no ar contra as pessoas e faz ricochete e espalha-se no ar cruzando-se com outros cheiros de outras pessoas que não olho nos olhos……………………… sinto-me pesar quando ando, deixando ficar alguma coisa para trás que deveria vir comigo, volto, apanho-me e recomeço a marcha. É uma dança que me encontra, que me faz girar e andar para trás no tempo porque me obriga a regressar vendo tudo para do à minha volta, até o ar.


Movo-me como o pó deixo-me ir levando pelo movimento do vento….mudança de rota, pairo plano, deslizo e toco no chão pouso ligeiramente e retomo a subida passando entre as pessoas inertes e congeladas sem que elas me sintam finalmente encontro o meu pesar e recomeço a marcha movo-me lentamente e de olhos fechados gosto de ver a mudança da luz quando estou com os olhos fechados, quando as pessoas passam depressa, quando passo por um poste alto ou quando as nuvens resolvem por-se a frente para tapar uma fada que decidiu sair do seu esconderijo e revelar-se aos que estão de olhos fechados porque só assim e que se percebem as sombras uma vez que elas não têm cor, são de uma matéria transparente que não se vê senão quando se põem em frente do sol projectando uma enorme sombra na íris protegida pela pálpebra essa fina camada de pele que nos defende e que nos entrega ao movimento e ao deleite da música. Movo-me de vagar e sinto-me invadida por um movimento que me faz contorcer e chorar….danço mexo-me como se tivesse na água deslizo navego desenho o ar com as costas e os dedos paro de respirar estico-me espreguiço o corpo fazendo um inspiração que me leva o ar ao corpo todo sinto os dedos dos pes mexerem-se ondulo com a musica que me atravessa o me molda o corpo paro continuo levanto-me ergo-me para o sol de olhos fechados e vejo duas sombras, uma deves ser tu………………………………………………….a outra, uma fada. Sorrio sinto o corpo todo cheio de sons e de dores. Paraliso der repente fico com medo de estar a sonhar tudo isto………….choro devagarinho………………..sou eu não é a fada que ali esta, sou eu que danço com o meu respirar que quero acordar……………………………………………………………………………………………………………………………………………….deixo-me de olhos fechados a respirar fundo e sinto-me abandonar-me mexo os dedos para poder pairar em varias direcções sinto a minha mão tocar na outra …………..e forte bonitoo respiro para as mãos e sinto também o ar como uma manchaaaaaaaaa umaaaaa um cheiro que altera a textura da pele e transforma-a em movimento abano a cabeça quero sentir mais mais masiamaismasismais quero ficar a ver as sombras e procurar e sorrir para fadas onde não há fadas quero ver as sombras e sentir-lhe os dedo e a respiração na minha pele. Ainda não abri a boca o meu corpo fala por mim lânguido e determinado em seguir a musica para onde ela vai. Uma vaga de calor assola-me e o sol não há sombras só a minha e essa não se eleva também não e a que eu quero ver são as outras que fogem de quem as não podem ver com o risco de desaparecerem porque se diluem na chuva e caem ganhando cor quando tocam na terra, a cor de quem passa pelas coisas sem lhes tocar se querer sentir sem olhar e sem cheirar. Tocam e derretem-se ganhando a forma de gota para que possam só por mais uma vez recuperar a condição celeste de quem e transparente mas se projecta nos outros em forma de sombra e que faz dançar quem as procura porque enche de ar e o ar com a musica não para roda roda roda e ganha peso e cheiro e entra pelos olhos ate ferir a íris são os arrepios. Doem-me os músculos e no entanto danço sem o conseguir parei e deixei-me levar pela corrente entrego-me aos sentidos sinto-o cada vez com mais força fico triste por vezes e depois sorrio porque me sinto cheia cheia desse ar laranja azul preto.

Deixo-me cair e fico a sentir os outros passar e falar

-->